5 lições para uma educação financeira desde cedo.

por João Pessine; Diretor Executivo e Sócio-fundador da Rio Claro.
17 de Junho de 2021, 18:00 h | por João Pessine; Diretor Executivo e Sócio-fundador da Rio Claro.
Planejamento FinanceiroFinanças
O que temos que fazer para que nossos filhos não repitam estes cenários, e o que fazer em cada fase da vida?

5 lições para uma educação financeira desde cedo.

 

Se filhos tendem a repetir o comportamento dos pais, seguramente o futuro não é muito promissor para a paz financeira dos filhos, segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) hoje no brasil, quase 58% das famílias brasileiras estão endividadas¹, 23,7% com dívidas em atraso, e 10% das famílias já informaram que não tem como pagar as dívidas.

E a pergunta é, o que temos que fazer para que nossos filhos não repitam estes cenários, e o que fazer em cada faze da vida?

 

Dos 3 a 5 anos, - Lição: Temos que esperar para comprar algo que queremos.

Este ensinamento visa ensinar a criança que se ele realmente quer algo ela precisa esperar e guardar dinheiro para comprar e mostrar como é importante esperar para se conseguir algo.

 

Atividade, bom e velho porquinho.

Uma boa atividade é dar um pote e perguntar ao seu filho o que ele realmente quer comprar. Por exemplo, um carrinho de 15 reais, todos os dias você irá dar uma moeda de um real a ele, se ele guardar a moeda todos os dias em 15 dias você irá com ele comprar o carrinho, se ele quiser comprar algo antes não terá o carrinho e terá que esperar mais. Isso será divertido para ele e dará a criança um senso da importância de esperar e guardar.

 

Dos 6 a 10 anos. Lição: Você tem que fazer escolhas de como gastar o dinheiro e ele não nasce na carteira.

Nesta idade a importância é demonstrar que o dinheiro é algo que acaba e como devemos escolher bem onde gastamos e de onde ele vem dando a ideia e que uma vez que o gastamos ele não voltara mais. Nesta idade já vale inserir as noções de ganhos, poupança, gastos e custos.

 

Atividade, não tem para tudo.

Vá a um mercado e pergunte o que seu filho quer, dê a ele um valor que você sabe que não é o suficiente para ele comprar todas as coisas que deseja e o ajude a encontrar os produtos, quando for pagar mostre para ele que não é possível levar todas as coisas e faça as perguntas, qual dos itens é mais importante para você? Isto é algo que você quer realmente? Se formos levar isto a mais não poderei comprar o sorvete de domingo para você (ou algo que você saiba que o importe), você prefere comprar? O que você trocaria das coisas que ja tem por este item? A importância desta fase é engajar ele no processo decisório como adultos, entendendo noções de troca.

 

Atividade, ele vem do trabalho.

Vá a um supermercado e de um valor a seu filho para comprar algo e vender aos vizinhos e amigos. Comprar frutas e vender o suco é uma excelente atividade uma vez que a criança entendera que terá que ter algum trabalho no processo ou balas fazendo uma cestinha para vender, monitore seu filho e tente mostrar que o valor que ele recebeu para comprar as frutas ou as balas, devera ser vendido por um  valor maior do que foi gasto, ele descobre dessa forma o lucro.

 

Dos 11 aos 13 anos. Lição: Quanto mais rápido guardamos, mais rápido compramos.

Aqui a regra é uma, como dinheiro gera dinheiro a descoberta da palavra juros. Nesta fase as crianças já começam a ter objetivos um pouco mais longo e podem experimentar ganhos financeiros.

 

Atividade, guardou ganhou.

Na atividade a criança informa um objetivo mais longo, como um vídeo game ou viajem com os amigos, suponhamos 1000 reais, você informa a ela que dará 50 reais todos os meses para ela guardar em uma conta e que terá alguns ganhos e quando chegar no decimo mês se ele tiver mais de 500 reais na conta ou em um investimento você dará mais 500 reais, o valor final será maior que 1000 reais e você explicara que aquela diferença vem dos juros, onde ao guardar dinheiro você ganha dinheiro e agora ela pode usar esta diferença a mais para o que quiser.

 

Dos 14 aos 18 anos, Lição: estudar e trabalhar é o caminho.

Nesta faze vale entender a importância de sempre continuar estudando e como os ganhos de quem estuda tendem a ser maiores de quem não termina os estudos.

 

Atividade, é bom para você!

Hora de falar, filho seus estudos custam dinheiro e como você irá continuar estudando. Nesta atividade mostre um valor que ele terá que guardar para entrar em uma faculdade ou curso especializante, ou um curso que ele deseje fazer, mostre o quanto você já gasta com ele hoje, pergunte como ele te ajudara a guardar este valor, pois, é muito benéfico a ele, mostrando de forma clara quem estuda mais ganha mais, na melhor forma usando exemplos na família.

 

Atividade, quem trabalha tem notas e dinheiro.

Ponto deliciado, mas já está comprovado² que crianças dos 14 aos 18 anos que trabalham até 20 horas por semana tem melhores notas e tem capacidade profissional muito elevada em relação as demais quando entram no mundo profissional, mas muito importante, trabalhar mais de 20 horas mostrou-se extremamente danoso no sucesso educacional delas, limite as horas.

 

18 para a vida – Lição: Para ser veneno depende da medida!

Nesta idade começamos a ter acesso a créditos, e geralmente quando você o utiliza para comprar algo que não precisa, terá que vender algo que precisa.

 

Atividade, parcelamento é dívida atual.

Quando você comprar algo parcelado tenha anotado de forma clara quanto ainda deve, quando financiar uma casa ou carro entenda de forma clara que aquele bem não é seu até que termine de pagar e sempre tenha no hoje a visão de quando ainda deve.

 

Atividade 2, juros quem entende ganha quem não entende paga.

Evite ao máximo pagar juros e se for incorrer em uma dívida, principalmente as de curto prazo como cartões de crédito e cheque especial esteja sempre pronto para quitar ela ou ter instrumentos claros para quitar antes de fazê-la, desta forma utilizar o cartão somente se for pagar a fatura cheia e se por emergência entrar no cheque especial saiba que tem um ganho em um horizonte próximo que irá cobri-lo.

 

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Atenciosamente,

 

João Pessine Neto

 

Sócio fundador da Rio Claro é bacharel em administração pública e de empresas pela Fundação Getúlio Vargas com cursos pelas universidades da Florida, Genebra e Melbourne. Atua há mais de nove anos na área de planejamento financeiro familiar, tendo passados pelas empresas: Ágora Investimentos, onde foi analista de investimentos por um ano, pelo Banco Bradesco de Investimentos (BBI), sendo operador de ações por 2 anos, ATIVA Investimentos como gerente da filial Brasília e DXI onde ficou por 5 anos como Planejador Financeiro. É um Planejador Financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF), membro da Associação Brasileira de Planejadores Financeiros (Planejar) e conselheiro financeiro parceiro da Associação Médica de Brasília (AMBR).

As marcas CFP®, CERTIFIED FINANCIAL PLANNER pertencem ao Financial Planning Standards Board Ltd. para uso fora do território norte-americano. O Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros - IBCPF é a entidade autorizada pelo FPSB mediante acordo firmado entre ambas para a concessão e administração destas marcas no território brasileiro.

 

Bibliografia:

http://cnc.org.br/sites/default/files/arquivos/release_peic_marco_2017.pdf

https://www.degruyter.com/view/j/jsarp.2009.45.4/jsarp.2009.45.4.2011/jsarp.2009.45.4.201 1.xml http://www.moneyasyougrow.org/

PAI RICO, PAI POBRE - O QUE OS RICOS ENSINAM A SEUS FILHOS SOBRE DINHEIRO (KIYOSAKI, ROBERT T. LECHTER, SHARON L.)

 

¹O percentual de famílias que relataram ter dívidas entre cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, empréstimo pessoal, prestação de carro e seguro.

²First-Year Students' Employment, Engagement, and Academic Achievement: Untangling the Relationship between Work and Grades. Gary R Pike, George D. Kuh & Ryan C Massa-McKinley.

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