Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Outubro

por MATHEUS PORTELA, CFP®, CGA, CNPI
05 de Outubro de 2020, 17:55 h | por MATHEUS PORTELA, CFP®, CGA, CNPI
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Correção no preço das ações, incertezas frente a eleições e o cenário fiscal

O mês de setembro foi de recuo nas bolsas a nível global. O índice europeu Stoxx 600 caiu 1.48%, enquanto o americano S&P500 recuou 4.64% e o índice nacional Ibovespa registrou queda de 4.80%. Na primeira metade do mês, o dólar acompanhou a queda do Ibovespa, mas voltou a funcionar bem como proteção no decorrer do mês, acumulando alta de 2.50% em setembro.

Durante o último mês, Reino Unido, França e Espanha renovaram as máximas das taxas de contágio diário de COVID-19. Essa segunda onda de contaminação por COVID-19 trouxe o receio de um novo lockdown nessas regiões, além das já anunciadas medidas de restrição em muitos locais nesses países, como limitação do número de pessoas em reuniões e fechamento mais cedo de restaurantes e bares. Dessa forma, o mercado europeu acompanhou esse fenômeno, registrando queda.

Nos EUA houve um recuo maior, afetado principalmente pelo sell off das das ações de tecnologia, pelo maior receio das turbulências do resultado das eleições e dos desentendimentos em torno do novo pacote de estímulos no Congresso. Em uma realização de ganhos acompanhada de um receio de uma bolha, o mês de setembro foi marcado por um grande volume de vendas das ações de tecnologia. As ações das gigantes Apple e Amazon, por exemplo, recuaram 10.25% e 8.76%. O mercado também passou a precificar cada vez mais turbulências nos resultados das eleições de novembro, diante da provável contestação dos resultados, em decorrência da alta polarização e do massivo número de votos por correio, dadas as condições impostas pela pandemia e que tendem a atrasar o resultado final dando maior espaço para contestação. Outro fator estressor relevante foi a dificuldade das negociações em torno de um novo pacote de estímulos, ainda mais tendo em vista o resultado aquém do esperado nos dados de emprego, indicando uma recuperação lenta e o esgotamento dos efeitos do último pacote.

No cenário local, o maior estresse veio da equipe econômica do governo. Uma forte sinalização de que uma nova versão da CPMF seria posta em pauta para votação com o aval do presidente e toda confusão criada em torno do financiamento do substituto do Bolsa Família, o Renda Cidadã, foram os grandes estressores nesse mês de setembro, além de terem danificado muito a imagem do ministro Paulo Guedes. Foi divulgado que a fonte de financiamento do Renda Cidadã viria de duas fontes: precatórios e Fundeb. Da primeira, o procedimento seria o de limitar o gasto com precatórios e usar o excedente da fatia já destinada a esses pagamentos para financiar o programa e da segunda fonte, Fundeb, seria a de usar uma fatia dos recursos do fundo para financiar os beneficiários do programa que mantenham seus filhos na escola. Isso suscitou uma reação bem negativa, uma vez que essas propostas foram vistas como forma de “furar” o teto de gastos, uma vez que os precatórios são despesas obrigatórias e que recursos destinados à educação, como os do Fundeb, não estão sujeitos ao teto de gastos.  Essa tentativa inclusive trouxe ainda mais à tona a preocupação de investidores com a situação fiscal do país, uma vez que a dívida pública já chega a 88.8% do PIB de acordo com última divulgação pelo BACEN.

Todo esse cenário refletiu nas carteiras de investimentos. Na primeira quinzena do mês, o dólar recuou junto com o Ibovespa, fenômeno atípico, e assim houve uma maior queda nesse período, já que são ativos que normalmente têm correlação negativa um com o outro. Contudo, a partir da segunda quinzena o câmbio voltou a funcionar bem como proteção, registrando forte movimento de alta, fechando o mês com alta de 2.50%. Outro fenômeno atípico foi o grande spread das LFTs, que chegaram a apresentar rentabilidade negativa, em razão da grande oferta de títulos da dívida de curto prazo pelo Tesouro Nacional, dada a necessidade de financiamento das medidas do governo. Esses dois fenômenos atípicos foram consequências, de certa forma, de um problema similar, a deterioração do cenário fiscal do país.

A expectativa para o próximo mês é de uma maior volatilidade dos mercados internacionais com a aproximação das eleições americanas. No cenário local, o centro das atenções fica no ambiente do ministério da Economia, se essa perda de espaço do Paulo Guedes vai ser passageira ou se irá se consolidar. Os trâmites da reforma tributária devem ser postergados por conta da aproximação das eleições municipais.

Dessa forma, a ideia é usar parte dos recursos dos fundos caixa para entradas pontuais tanto em renda variável, incluindo bolsa americana, que deve apresentar maior volatilidade com a chegada das eleições. Continuaremos também aumentando as alocações em fundos quantitativos, que tendem a ser menos correlacionados com cenários de crise e podem se beneficiar do aumento na volatilidade.

Continuamos com nosso compromisso de uma gestão cautelosa, especialmente nesses tempos de maior incerteza. Todos os aumentos em renda variável serão acompanhados da devida alocação em ativos de proteção. Agradecemos sua confiança.

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