Carta Mensal Rio Claro Investimentos - abril/maio 2020

por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
02 de Junho de 2020, 12:00 h | por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
InvestimentoFinançasAtualidades
Principais acontecimentos para o cenário econômico do mês de abril e maio, análise das carteiras durante esse mês e perspectivas para o comportamento do mês de junho

Os meses de abril e maio foram marcados por uma boa recuperação no mercado financeiro. O índice S&P 500, por exemplo, apresentou seu maior ganho percentual mensal em abril desde 1987, puxada principalmente pela valorização das gigantes de tecnologia, como Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet e Facebook, que foram responsáveis por 20% dessa valorização do índice). A bolsa local nesse mesmo mês subiu 10%, apresentando forte correlação com as bolsas estrangeiras. Parte desse otimismo foi uma forma de euforia por compra de ações por um preço abaixo do que suas empresas representam, parte também por um ajuste de expectativas em relação à duração dos efeitos da pandemia condizente com o observado na primeira metade do mês de abril.

Em maio esses índices mantiveram uma tendência de alta, com o S&P 500 avançando 4,50% no acumulado desse último mês e o Ibovespa acumulando uma alta de 8,58%. A leitura desses resultados no cenário internacional é similar à de abril, com a gradual reabertura da economia europeia, o primeiro centro econômico no ocidente a ser afetado pela pandemia, e a redução na evolução nos EUA, indicando que o pico da pandemia por lá já tenha passado. A alta local se deve ainda à forte correlação com as bolsas internacionais. Também contribuíram para essas altas algumas notícias favoráveis a vacinas em desenvolvimento, o corte mais agressivo na taxa Selic (de 3,75% para 3%) e um certo arrefecimento do risco de uma maior crise política, segundo leitura do mercado, após a divulgação do vídeo da reunião ministerial pelo STF na sexta (22) e uma aproximação momentânea entre congresso e planalto.

Porém, os dados macroeconômicos divulgados para o primeiro trimestre desse ano foram alarmantes. Houve uma queda no PIB brasileiro de 1,5%, marcada por um forte recuo no setor de serviços (1,6%). Essa queda contempla um período pouco afetado pelas medidas de combate à pandemia, já que o isolamento social começou de forma mais agressiva a partir da segunda metade de março.  Também observa-se uma deterioração do cenário fiscal, com o elevado nível de gasto por conta da pandemia, o que levou a secretário a projetar uma dívida bruta em 94% do PIB ao final desse ano. Em abril, ela chegou a 79,7%, maior patamar da série histórica. Junto a isso, o pais acumula, até abril, fechamento de 49 milhões de vagas de emprego, sendo que mesmo antes da pandemia o patamar do nível de desemprego já era considerado alto.

Assim, as expectativas para os próximos dados não são boas, com projeções de retração de 10% do PIB nesse período, resultando em uma revisão para baixo na projeção anual, agora em 6,25% segundo o último boletim Focus (a anterior era de -5,89%). Também a evolução da pandemia no pais preocupa bastante, dada a comparação com os demais pais da América do Sul, um afrouxamento das medidas de isolamento em um período de aceleração de contaminados (em contramão com o realizado em demais países). Resultado disso é observado na forte desvalorização do real no ano (-24,7%), consideravelmente mais acentuada que moedas de pares internacionais.

E no cenário político, tanto localmente quanto mundialmente, existem incertezas de grande risco. A relação entre EUA e China voltou a piorar, com uma ofensiva americana por conta da pandemia, em que responsabilizam o governo chinês pela propagação do vírus, o que levou a uma série de desentendimentos que culminou na saída dos EUA da OMS. Também houve uma reação à escalada autoritária do governo chinês sobre Hong Kong, com a aprovação da lei de segurança nacional sobre o território autônomo, levando Washington a encerrar o tratamento especial (tratados de relações comercias e de extradição) concedidos a Hong Kong. Pequim respondeu com um pedido de suspensão das compras de soja e carne suína americana. No Brasil, a escalada de tensões entre os poderes executivo e judiciário geram bastante instabilidade, com as atenções se voltando para as investigações sobre apoiadores do presidente, segundo ordens expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes de acordo com o inquérito das Fake News. Assim, houve reação por parte do planalto, sendo cogitado um pedido suspeição do ministro Celso de Mello pela quebra de sigilo da reunião ministerial, além da renomeação de Alexandre Ramagem para o Ministério da Justiça e Segurança Pública (a primeira nomeação foi suspensa por Alexandre de Moraes).

Diante desse cenário misto, completamos os rebalanceamentos das carteiras iniciados no pós carnaval, com entradas oportunas em bolsa, especialmente após a redução da grande volatilidade. Essas entradas foram acompanhadas por medidas de proteção, assim foram balanceadas com dólar e fundos long short ou fundos com bons hedges. Dada também a redução na Selic e perspectiva de posteriores cortes, aumentou-se a exposição em fundos multimercados de baixa volatilidade. Nesse período, observou-se uma boa recuperação das carteiras, com altas consideráveis em abril e em março, frente a queda observada no final de fevereiro e no decorrer de março. Obtivemos uma boa reação, dada a maior cautela adotada, que permitiu uma redução considerável das perdas no período de maior estresse.

Continuamos com nossa estratégia de cautela inteligente, protegendo bastante a carteira frente a incertezas e seguindo o perfil de cada cliente. Agradecemos a sua confiança.

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