Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Agosto 2020

por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
04 de Setembro de 2020, 18:55 h | por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
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Inflação de atacado e endividamento público preocupam

O mês de agosto foi marcado por uma interrupção na sequência de altas do Ibovespa, que vinha em uma tendência de alta consolidada a partir de Maio, após as quedas de Março e da primeira quinzena de Abril.  O Ibovespa recuou 3,44% no mês, com uma perda acumulada de 14,07% no ano. O dólar voltou a registrar alta, avançando 5,06% no período. No exterior, o mês foi predominantemente positivo, com avanços nos índices europeu e americano (alta de 7,01% do S&P500 e de 2,86% do Stoxx 600), em virtude da recuperação econômica com a reabertura cada vez maior da economia. 
No cenário econômico nacional, os principais assuntos do mês foram o envio da reforma administrativa, a grande queda do PIB no 2º trimestre e a inflação alta nos alimentos. Já no cenário político nacional, agosto foi um mês de menos tensões políticas. No cenário global houve um acirramento das tensões entre China e EUA, especialmente com a aproximação das eleições presidenciais americanas. A discussão sobre as operações do aplicativo chinês TikTok sintetiza bem essa situação, com as seguidas ameaças de ambos os lados sobre suas operações nos EUA. A renúncia do premiê japonês Shinzo Abe, devido a questões de saúde, também gerou apreensão, dada a sua figura de estabilidade.  
Em agosto as preocupações quanto ao cenário fiscal brasileiro aumentaram. Enquanto nos meses anteriores a reabertura da economia inspirou otimismo, refletido na forte recuperação do Ibovespa, agosto foi um mês de maior cautela. A discussão em torno da prorrogação do auxílio emergencial por mais 4 meses (agora em R$300,00, valor abaixo do anterior) e as tensões geradas entre o núcleo político do governo e a equipe econômica do ministro Paulo Guedes evidenciam uma situação delicada. A preocupação com o alto nível de endividamento, já em 86,5% do PIB com projeções de ultrapassá-lo no próximo ano fiscal, freou o otimismo dos investidores.  
A queda do PIB de 9,7% no 2º trimestre, apesar de esperada (dadas as medidas de isolamento social e o peso do setor de serviços no PIB brasileiro, de 75%), foi a maior já registrada na série histórica e levou a economia a regredir aos níveis do final de 2009. Mesmo alinhado com as expectativas do mercado, esse número traz preocupação, uma vez que anteriormente à pandemia o Brasil já estava com um elevado índice de desemprego e um cenário fiscal preocupante, mesmo após a aprovação da reforma da previdência. 
No mesmo dia da divulgação do resultado do PIB, houve o envio da reforma administrativa. Apesar da boa reação inicial do mercado, entendeu-se que a reforma apresentada foi bem tímida, uma vez que privilegiou diversas categorias, como o Judiciário e o Legislativo, além de pouco mexer nos benefícios dos servidores públicos atuais, o que limitou bastante o seu impacto. 
A discussão sobre inflação voltou à tona em agosto, com a alta acumulada do IGP-M de 13,02% registrada na última sexta do mês. Apesar de a inflação como um todo estar em baixa em decorrência da pandemia, houve forte avanço nos preços de atacado (alimentos, principalmente) e de materiais de construção civil. Resultado da acentuada desvalorização cambial e do aumento de demanda, os preços dos alimentos vêm chamando atenção, dado seu grande peso na cesta de consumo da maior parte da população e da possibilidade (ainda remota) de haver um congelamento de preços. Entende-se que por enquanto não há muitos motivos para a preocupação com uma alta generalizada dos preços. 
Após a forte recuperação, o comportamento dos ativos foi um pouco mais tímido. Os fundos imobiliários apresentaram boa recuperação após o recuo no mês anterior. Aproveitamos os momentos de baixa na bolsa para realizar algumas aplicações em renda variável, mantendo o nível de proteção. Continuamos o processo gradativo de um maior uso de fundos multimercados de baixa volatilidade em decorrência das sucessivas quedas da Selic. Mantemos uma postura de maior cautela, especialmente dado o cenário fiscal, apesar de um certo otimismo com a reabertura da economia e da melhora do cenário político.
Agradecemos a sua confiança e continuaremos com o bom trabalho. Obrigado!   
 

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