Carta Mensal (janeiro 2022)

por Marcius Lima, Gestor de Recursos e economista formado pela Universidade de Brasília
16 de Fevereiro de 2022, 15:16 h | por Marcius Lima, Gestor de Recursos e economista formado pela Universidade de Brasília
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Análises e perspectivas sobre o mercado financeiro em janeiro de 2022 e os devidos impactos nas carteiras dos investidores

O ano começou com um rally do Ibovespa, impulsionado pelos estrangeiros e sua busca por commodities e preços descontados. Na proximidade do rompimento para baixo dos 100 mil pontos, com dados alarmantes da variante Ômicron e preocupações as mais diversas com os movimentos do Governo atual não nos parece que tenhamos virado a chave para sustentar um movimento consistente de alta do índice brasileiro.

No cenário econômico, estamos esperando uma sinalização do Banco Central em relação às próximas reuniões do Copom, já que em fevereiro, está confirmado aumento de 1,5pp levando a Selic para 10,75%a.a. Nossa expectativa é que o Copom deixe de sinalizar um ajuste da mesma magnitude na próxima reunião, o que deixaria a decisão de março mais aberta, a depender dos dados.

No exterior, a principal questão que afetou os mercados foi a retirada de estímulos monetários pelo Federal Reserve, que sinalizou a necessidade de subida de juros mais cedo e mais rápido do que esperado anteriormente. Com isso, as taxas de juros de longo prazo nos EUA dispararam, e isso afetou fortemente as empresas de crescimento, principalmente as grandes empresas de tecnologia lá fora, que têm a maior parte do seu valor projetado no futuro.

O mercado de juros foi bastante volátil no primeiro mês de 2022. Na parte curta da curta, não houve um fluxo tão relevante de revisões altistas da SELIC para 2022. De acordo com o último Boletim Focus, a taxa básica de juros tende a terminar 2022 em 11,75% (vs. 11,50% há quatro semanas). Nosso time de macroeconomia manteve suas projeções em 12,25%. A principal incerteza do mercado é a conciliação do ambiente recessivo esperado para esse ano com o retorno da inflação à meta no curto prazo. O carrego atual dos vértices curtos e intermediários estão bastante atrativos. Além das alocações em papeis atrelados ao CDI e IPCA, estamos enxergando um prêmio de inflação nos títulos prefixados curtos.

Na política, as atividades nos Poderes Legislativo e Judiciário serão retomadas com diversos temas relevantes na agenda, e esperamos um aumento gradual da volatilidade no mercado à medida que as eleições começarem a entrar no radar.

A movimentação da indústria de fundos vista no ano passado deve prosseguir em 2022, ao menos no primeiro semestre, já que tanto a inflação quanto a Selic permanecem em patamares elevados, somando-se a isso a antecipação da instabilidade na frente política local e as dúvidas para a futura agenda econômica. Segundo dados da Anbima, no consolidado de janeiro até o dia 18, os fundos de renda fixa captaram R$ 64,9 bilhões, enquanto todas as outras classes, inclusive cambial e Previdência, registraram resgates – de R$ 5,1 bilhões no caso dos fundos de ações e de R$ 9,9 bilhões para os multimercados, por exemplo.

A ideia base dos gestores da maior parte dos fundos para esse ano, e a nossa, é de visão construtiva para a economia americana, pressão sobre ativos brasileiros e portfólios leves, capazes de responder com agilidade às mudanças abruptas de cenário e aproveitar oportunidades.

No mês, nosso fundo cambial (Occam Fundo de Investimento Cambial), que detém pequena parcela do capital alocado nas carteiras administradas, apenas para fins de proteção, retornou -4,78%, dada a valorização relevante no real no mês, com a entrada de capital estrangeiro no País. De fato, o real foi uma das moedas que mais se valorizou no mundo para janeiro de 2022, o que explica o retorno do fundo e não traz qualquer tipo de preocupação, dado o intuito da presença do fundo na carteira.

Na renda variável, o Constância retornou 3,87% no mês de janeiro/22. O Vinci Seleção, que compõe as carteiras mais arrojadas, fez incríveis 8,95% no mês. Por sua vez, o Western Asset apresentou a maior queda para um mês desde outubro de 2018: -13,84%. O retorno negativo do fundo não chegou a nos pegar de surpresa, mas o percentual de queda é bem significativo e chamou nossa atenção. Essa venda em massa de empresas do setor de tecnologia está atrelada à política monetária dos Estados Unidos e à preocupação com a inflação, o que tem motivado uma rotação dos investidores. De todo modo, o fato é que o mundo está cada vez mais dependente de tecnologia e do que essas empresas são capazes de entregar. Além disso, o setor hoje é bastante sólido e consolidado, de modo que a tese principal de investimento em exterior se mantém. Acompanharemos de perto os próximos resultados do Western Asset e estamos em contato com a Casa para entender as perspectivas para o ano.

Nos fundos multimercado, tivemos ótima performance: nossa maior posição, o Az Quest Low Vol, bateu 120% do CDI; o Novus Institucional retornou 137% do CDI; o Az Quest Azimut, 104% do CDI; e o Artesanal FIC FIM, 96% do CDI.

Na renda fixa, nossa carteira também teve uma boa performance: o BTG Pactual Yield retornou 105% do CDI; Plural Yield, 99% do CDI; e o Arx Denali, que acabou fechando logo após a formação da carteira, retornou 113% do CDI. Como medida alternativa, diante do fechamento desse último fundo, estamos procurando papeis com boa rentabilidade e alocando aos poucos para os clientes.

A carteira de ações em janeiro foi favorecida pela alta da bolsa, com fluxo estrangeiro representando, apenas no mês, 35% do volume total do ano passado, entrada que fez com que a bolsa saltasse quase 7%. Já os Fundos Imobiliários que tiverem um respiro em dezembro de 2021 voltaram a cair, continuando a tendência de queda vista no ano de 2021.

Os retornos acumulados para as estratégias base da Rio Claro:

Perfil Conservador:

Retorno acumulado: 1,28% 

Perfil Moderado Conservador:

Retorno acumulado: 1,22%

Perfil Moderado:

Retorno acumulado: 1,07%

Perfil Moderado Arrojado:

Retorno acumulado: 1,07%

Perfil Arrojado:

Retorno acumulado: 0,12% 

Esperamos que o ano de 2022 seja desafiador para o Brasil, devido à questão da consolidação fiscal e da eleição. No entanto, estaremos atentos às oportunidades em renda variável que surgirão no período. Vemos uma boa oportunidade em renda fixa, tanto pública quanto privada, devido ao alto patamar dos juros, em que podemos nos beneficiar tanto da taxa de juros quanto do PU dos títulos. Já no exterior, a economia nos EUA continua rodando a todo vapor e vemos esse ajuste dos preços na bolsa americana como um ajuste natural à alta da taxa de juros promovida pelo FED.

Acompanhe nossos artigos e aprenda ainda mais com a Rio Claro.

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