Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Junho 2020

por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
02 de Julho de 2020, 18:00 h | por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
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O mês de junho foi marcado por um reajuste de expectativas em relação ao mês de maio. Enquanto o mês anterior foi de bastante entusiasmo, dada a reabertura gradual da economia europeia, indicações de que o pico da pandemia do coronavírus já teria passado nos EUA e o otimismo local propiciaram a percepção de uma maior aversão ao risco dos investidores globais no mês de junho. A crescente de casos em vários estados americanos, o anúncio de uma segunda onda de infecções em Pequim bem como o aumento do estresse na política local com a prisão de Fabrício Queiroz e o avanço dos inquéritos no STF contra o Planalto geraram mais estresse no mercado.

O mês de junho foi marcado por um reajuste de expectativas em relação ao mês de maio. Enquanto o mês anterior foi de bastante entusiasmo, dada a reabertura gradual da economia europeia, indicações de que o pico da pandemia do coronavírus já teria passado nos EUA e o otimismo local, em junho observou-se um maior ceticismo dos investidores. A crescente de casos em vários estados americanos, o anúncio de uma segunda onda de infecções em Pequim bem como o aumento do estresse na política local com a prisão de Fabrício Queiroz e o avanço dos inquéritos no STF contra o Planalto geraram essa impacto.

Entretanto, houve um avanço considerável da bolsa local. Isso se deu pelo bom resultado da reabertura gradual europeia, sem muitos indícios de uma segunda onda de COVID; pela continuação do relaxamento das restrições nos EUA, com expectativas da continuação da geração de empregos observadas em maio e pela aproximação do governo Bolsonaro ao bloco político Centrão, indicando uma amenização nas tensões políticas e um clima mais favorável à aprovação de reformas. Além disso, o agressivo corte na Selic anunciado pelo COPOM no dia 17, corte de 0,75%, com a renovação do menor patamar histórico da taxa, agora em 2,25%, contribuiu para esse cenário.

Assim, em junho o Ibovespa manteve sua tendência de alta, avançando 8,76%, mesmo com a desvalorização do real, com o dólar registrando uma alta de 1,87% nesse último mês, dado a menor aversão a risco de investidores estrangeiros. Os índices americanos também mantiveram a tendência de alta, com o S&P 500 subindo 1,8% e a Dow Jones, 1,7%. 

Estados americanos como Flórida, Texas e Califórnia, que tinham começado o mês com maior flexibilização das diretrizes de isolamento social, apresentaram seguidas altas de casos de infecções por coronavírus, superando recordes diários de novas infecções durante o mês. Assim, os governadores desses estados voltaram a tomar medidas para reforçar o isolamento social como o fechamento de bares, a fim de conter o avanço da doença. Em Pequim, onde as autoridades locais anunciaram no início do mês que não havia novos casos de infecção, aconteceu um novo surto da doença, o que levou o governo chinês a voltar com lockdown em algumas regiões.

Essa incerteza também levou o FED a adotar mais medidas de estímulo a crédito, com o anúncio de que a instituição passaria a comprar títulos corporativos individuais. Também foi sinalizada a manutenção da taxa de juros americana no baixo patamar atual (0% a 0,25%), durante um bom tempo, com duração prevista até 2022. Esse cenário de incertezas também levou o FMI (Fundo Monetário Internacional) a revisar novamente a expectativa do PIB global para baixo, estimando um recuo de 4,9% para esse ano, frente ao de 3,0% estimado em abril.

Nesse mesmo relatório, a instituição também previu uma maior queda para a economia brasileira, agora de 9,1%. Essa percepção de piora também foi confirmada pelo Banco Central, com estimativas de um recuo de 6,4% no PIB.  Além do já mencionado corte na Selic, o BACEN (Banco Central) também tomou medidas de reforço à oferta de crédito, como mudança no regramento dos financiamentos, no uso de imóveis como garantias para empréstimos, entre outras. Também foi anunciada pelo governo a prorrogação do auxílio emergencial por mais dois meses.

No cenário político, a prisão do ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, no imóvel do advogado da família Bolsonaro e o avanço do inquérito das Fake News no STF levaram a uma mudança de postura do governo, com sinalizações de uma “trégua” nos conflitos junto aos outros poderes, especialmente o STF, além de intensificar a aproximação junto ao Centrão. A demissão do ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, a recriação do ministério das Comunicações e a nomeação do deputado Fábio Faria como ministro foram medidas tomadas nesse sentido.

Diante da continuação da alta do Ibovespa e a volta da valorização do dólar, as carteiras continuaram o movimento de forte recuperação frente às quedas do início do ano. A estratégia adotada de uma maior entrada em câmbio com a desvalorização do dólar, na segunda metade de maio e no início de junho, foi bem acertada, já que foi seguida de uma forte alta da moeda em razão do menor apetite ao risco. Também houve maior entrada em bolsa estrangeira, dado o cenário mais adverso local, com os altos números de infecções e de óbitos decorrentes do coronavírus, além das incertezas do cenário político do país.

Para o mês de julho, manteremos a estratégia de entradas pontuais em renda variável, equilibrando exposição em bolsa local com bolsa estrangeira, sempre acompanhado de proteção, com entradas em câmbio e em fundos com estratégia long short e hedge.

Mantemos nossa posição constante de cautela e cuidado, principalmente neste cenário, que ainda permanece bastante incerto. Continuamos confiantes na estratégia adotada, que permitiu uma boa resistência da carteira durante o período mais crítico do mercado, com bons sinais de recuperação nos últimos meses, para termos foco durante a caminhada dos investimentos, segurança e tranquilidade para realizar aquilo que mais importa: seus planos de vida.

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