Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Março 2021

por Matheus Oliveira; Economista UnB; mestrando em economia pela Escola de Economia de São Paulo (EESP).
14 de Abril de 2021, 18:10 h | por Matheus Oliveira; Economista UnB; mestrando em economia pela Escola de Economia de São Paulo (EESP).
InvestimentoFinançasAtualidades
Recuperação internacional, avanço da pandemia no Brasil e perspectivas para 2021.

Caros amigos e investidores,

Acompanhamos de perto o avanço e piora da pandemia no Brasil. Em contraste com a euforia do mercado no começo do ano, tomamos uma abordagem mais conservadora, antecipando uma possível aceleração da inflação em conjunto com uma situação delicada das contas públicas. Não obstante, o atraso no calendário de vacinação em massa e o cumprimento leve das restrições de movimento contribuiu para que diversas regiões retomassem emergencialmente medidas como toque de recolher e lockdown. Conforme a pandemia segue em sua pior fase de contágio e número de mortos, as revisões de crescimento econômico para esse ano vem sendo reduzidas, uma vez que a recuperação do PIB depende da diminuição do contágio, permitindo a abertura gradual em conjunto a vacinação em massa da população. Em 2020, o Brasil sofreu uma retração de -4.4% no PIB, duas vezes a média dos países emergentes e pior que o impacto médio no mundo (cerca de -3.5%). A previsão para 2021 é um crescimento de 3% para o Brasil, metade do crescimento projetado para o mundo. Nesse cenário, permanece o diagnóstico de inflação acima da meta, desemprego em alta, baixo crescimento e aumento dos juros domésticos.

Com relação à política monetária, na última reunião do COPOM dia 17/3, a SELIC meta passou de 2% para 2,75%. O aumento esperado pelo mercado era de 0,5 p.p e, devido às novas sinalizações nos comunicados, espera-se novo aumento de 0,75 p.p na próxima reunião dia 4 de maio seguidos de aumentos de 0,5 p.p, 0,5 p.p e 0,25 p.p, consecutivamente, atingindo 4,75% em setembro e possivelmente 5,25% ao final do ano. Esse novo aumento na expectativa de juros reflete menos confiança na recuperação do crescimento esse ano e maior preocupação com o avanço inflacionário. A inflação acumulada em 12 meses atingiu 6,1%, após avançar 0.93% em março. É o maior valor para o mês desde 2015 (1,32%). Segundo o boletim FOCUS, o IPCA está previsto atingir 4,85% em 2021 (acima da meta de 3,75%) e 3,53% em 2022. Um ponto importante é o fato de que inflação afeta proporcionalmente mais os mais pobres (itens como gasolina, gás de cozinha, energia e alimentos básicos) e estamos perto de ano eleitoral. Um exemplo prático é a preocupação do mercado com as recentes ingerências do Governo Federal na Petrobrás e uma possível mudança nos repasses de preços da empresa. Essa deterioração do balanço de riscos nacional justifica o uso de ativos de proteção contra a inflação doméstica como investimentos atrelados a renda variável no exterior com e sem hedge cambial e um maior cuidado na escolha de ativos atrelados a curva de juros nacional. Ainda, justifica também o uso dos ativos tradicionais de proteção como ouro, platina e uma composição de moedas fortes.

No cenário internacional, os três principais blocos econômicos ensaiam uma recuperação sincronizada com os EUA crescendo 6.4%, a Zona do Euro crescendo 4.4% e os emergentes asiáticos crescendo cerca de 8.6% esse ano. Essa recuperação da atividade global é benéfica para países de matriz exportadora como o Brasil, mas só é potencializada em crescimento real e aumento de renda em uma situação de estabilidade macroeconômica com responsabilidade fiscal, déficit em trajetória controlada e inflação na meta. Dessa forma, de acordo com o perfil de cada investidor, as carteiras incluem oportunidades de renda variável no exterior com foco maior nos ativos norte americanos, uma redução de fundos multimercados brasileiros e o uso de ativos de proteção contra inflação.

Continuamos com nosso compromisso de performar em uma gestão cautelosa, especialmente nesses tempos de elevada incerteza. Aproveitamos para agradecer sua confiança e renovamos nosso compromisso de celeridade e profissionalismo na nossa gestão.

 

Atenciosamente,

Equipe técnica Rio Claro.

Acompanhe nossos artigos e aprenda ainda mais com a Rio Claro.

Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Fevereiro 2021

Aumento de juros, credibilidade fiscal e a retomada econômica

Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Janeiro 2021

2021 e a possível retomada do crescimento.

Carta Mensal Rio Claro Investimentos - Outubro

Correção no preço das ações, incertezas frente a eleições e o cenário fiscal

O que significa ser uma gestora de investimentos independente?

Conheça a diferença entre o mercado financeiro tradicional e o modelo inovador da Rio Claro Investimentos.