Carta Mensal Rio Claro Investimentos - março/abril 2020

por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
04 de Abril de 2020, 10:00 h | por Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
Planejamento FinanceiroAtualidades
Principais acontecimentos para o cenário econômico do mês de março e abril, análise das carteiras durante esse mês e perspectivas para o comportamento do mês de junho

A pandemia do coronavírus (Covid-19) foi o principal fator dos mercados no ano. Seus efeitos já começaram a ser sentidos a partir da segunda metade do mês janeiro, com a confirmação de um novo vírus e do primeiro caso fora da China no dia 13 do mesmo mês. As primeiras discussões dos impactos econômicos devido à pandemia se concentraram inicialmente na China, do quão isso afetaria seu crescimento e quanto afetaria o comercio internacional. Assim, o FMI projetava no meio de fevereiro (19) um impacto de 0,1% no PIB mundial, revisado até então para 2,9%.

Na segunda de carnaval (24), as principais bolsas globais apresentaram a primeira grande queda conjunta, com indícios de alta contaminação na Itália, Coréia do Sul e Irã. O Stoxx Europe 600 recuou 4%; O S&P 500, 3,3%. A bolsa brasileira reabriu na quarta-feira de Cinzas e teve queda de 7%.

Na semana seguinte, houve um novo fator estressor, a guerra de preços do petróleo por desentendimentos entre Rússia e Arábia Saudita quanto a reduções na produção da commodity. O minério já vinha apresentando forte queda, perdendo um terço do seu valor no ano até então, em decorrência da pandemia e da perspectiva de forte redução da demanda, dadas as quedas nas economias das principais potências.  No dia 6 de março, com a falta de acordo entre russos e sauditas, o barril do tipo Brent abriu em queda no dia 9 de 30%. Os papeis da Petrobras, abriram em queda de 30% e logo a Bolsa brasileira acionou o primeiro circuit breaker desde maio de 2017, no episódio conhecido como Joesley Day.

Uma semana depois, o dispositivo foi acionado pela quinta vez no ano, em meio à piora da pandemia (com a declaração oficial da OMS da pandemia no dia 11), com a forte deterioração do cenário europeu por causa do alastramento do vírus (no dia 13, a Europa passou a ser considerada pela OMS o novo epicentro da pandemia) juntamente a uma perspectiva um pouco mais clara dos cenários em outras localidades, como EUA e América do Sul e de todas as incertezas do cenário econômico em decorrência de lockdowns, queda de confiança de agentes, desemprego. Isso ficou mais evidente no domingo (15), quando o FED anunciou em uma reunião extraordinária o corte na taxa de juros, para o patamar de 0 a 0,25%, a menor da história, indicando um forte impacto na maior economia do mundo.

Assim, houve um movimento conjunto dos principais bancos centrais do mundo de medidas visando o aumento de liquidez dos mercados, como redução de juros, injeção de dinheiro via compra de títulos públicos por parte dessas instituições. Governos internacionais também adotaram medidas de auxílios diretos tanto a cidadãos quanto a empresas para auxílio no custeio de seus compromissos, ainda mais em cenários de aumento drástico do desemprego, como observado nos pedidos de seguro de desemprego nos EUA, que foram de 282 mil, para 3,28 milhões entre as semanas do dia 19 e do dia 26, e agora na casa dos 16 milhões.

 
Localmente, o Banco Central anunciou medidas com esse mesmo foco de garantia de liquidez, como redução de compulsório (de 31% para 17%), empréstimo para bancos lastreados em linhas financeiras (injeção na casa dos R$ 650 bi), corte na Selic. Essa reação também foi acompanhada pelo ministério da economia, através de medidas como liberação de crédito emergencial para que empresas possam financiar dois meses da sua folha de pagamento, aprovação de um auxílio emergencial de R$600,00 direto para uma grande de parcela de pessoas (beneficiários do bolsa família, autônomos).

Diante desse cenário, a Ibovespa teve uma queda de 29,90% em março e de 36,25% no primeiro trimestre de 2020. Também houve uma forte aceleração do dólar no período, de 29,5% nesse primeiro trimestre e uma alta do risco-país, de 176% do CDS nesse período, devido à piora da perspectiva fiscal local. O Banco Mundial projeta uma queda de 5% no PIB brasileiro nesse ano. O FMI projeta a pior recessão global desde a crise de 29, com o PIB mundial retraindo 3%.
Na primeira metade do mês de abril, observou-se uma melhora nos mercados, em decorrência de uma certa correção das fortes quedas de março e aparente estabilização da pandemia na Europa.

Diante desse cenário, as carteiras naturalmente apresentaram uma queda, com uma desvalorização dos fundos de renda variável e dos multimercados com grande exposição no mercado acionário.  Esse recuo veio acompanhado de uma queda dos fundos de crédito privado, em movimento similar ao ocorrido em outubro do ano passado, com uma grande saída de capital aplicado nesses ativos, levando a uma remarcação de preços revisada para baixo.

A gestora atuou de forma a reduzir esse impacto, com entradas pontuais e graduais em renda variável, dentro de um cenário de grande volatilidade. A avaliação de risco-retorno dos fundos de crédito privado nos levou a sair majoritariamente dessa posição. Avaliou-se que diante dessa outra queda em decorrência de remarcação de preços e de um maior risco de crédito por conta da pandemia, a posição aplicada tanto em menor risco, quanto em maior liquidez vem sendo substituída por fundos com grande exposição em títulos do tesouro ou aplicação direta em títulos Selic. Fundos cambiais apresentaram uma grande valorização e vem sendo usados também como hedge para a aplicação em renda variável.

O comportamento das carteiras foi bem positivo diante desse cenário adverso, as perdas foram bem mitigadas pela proteção que vinha sendo feito nas carteiras e as entradas em renda variável de forma gradual se mostraram acertadas dada a grande volatilidade e acelerada queda dos mercados globais.

Agradecemos a confiança de todos e continuaremos seguindo essa política de investimentos baseada em cautela e em conformidade com os perfis de cada cliente.

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