Economia e Investimentos: Retrospectiva 2019

por Matheus Portela, CFP®,CGA,CNPI
13 de Dezembro de 2019, 19:12 h | por Matheus Portela, CFP®,CGA,CNPI
Passamos pelas principais notícias econômicas do Brasil e do mundo, focando em como os acontecimentos influenciaram o mercado financeiro e as movimentações das nossas carteiras de investimentos. Confira!

O ano de 2019 foi marcado pela chegada de um novo presidente no país, em um momento de distensão na área política, mas de continuidade na área econômica. O cenário internacional foi marcado por uma ascensão de ideias e governos populistas, sendo o protecionismo econômico a grande resultante desse cenário.

O ano começou com o início de um governo com uma orientação econômica pró-mercado e as principais bandeiras sendo a rápida aprovação da reforma da previdência, a desoneração da folha de pagamentos, um programa de privatizações e uma desburocratização. O mercado reagiu com uma boa expectativa, vinda desde o resultado das eleições presidenciais. Entretanto, já no primeiro trimestre, foi observada a dificuldade de articulação política do novo governo, evidenciada por denúncias de candidatas laranjas dentro do então partido do presidente, atritos entre Jair Bolsonaro e Rodrigo Maia e declarações polêmicas vindas do alto escalão do governo, inclusive da própria equipe econômica.

Essa dificuldade foi uma constante durante esse primeiro ano e o mercado ficou bem suscetível a ela, uma vez que o avanço da agenda das medidas pró-mercado está relacionado a uma boa articulação. Assim, em períodos de avanço na relação entre legislativo e executivo, o mercado reagia bem e vice-versa. Essa relação acabou por resultar em uma demorada aprovação da reforma da previdência, porém com um texto positivo (apesar das alterações impostas pelo congresso) e que propiciará uma economia na casa dos R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões nos próximos 10 anos. Também há de se destacar a aprovação da MP de liberdade econômica, o avanço nos leilões de campos de petróleo e os bons resultados vindos do Ministério da Infraestrutura.

Outra notável atuação da equipe econômica do governo foi na política monetária mais dovish. Sucessivos cortes na taxa de juros básica (começou o ano de 2019 com sua mínima histórica de 6% que foi renovada para 4,5% após três sucessivos cortes pelo COPOM) e liberação de saques do FGTS foram medidas fiscais estimulantes para um aquecimento da economia em um cenário de baixa inflação (esperada na casa dos 3,5% frente a uma meta de 4,5%) e alto desemprego (com projeção na casa dos 11,5%). Além disso, indicadores macroeconômicos apresentaram um desempenho abaixo nos três primeiros trimestres, mas com uma aceleração considerável nesse último trimestre, muito por conta dessa política monetária expansionista.

Já o cenário internacional foi pautado principalmente pela Trade War entre China e EUA. Em suma, pode-se observar uma grande correlação entre uma euforia no mercado financeiro e avanços na relação entre Washington e Pequim. Essa disputa, entre as duas grandes potências econômicas, a elevação de alíquotas de importação, a acusação de manipulação de moeda e a imposição de novas tarifas, teve um impacto negativo no mercado, com considerável redução no comércio internacional, além de reforço nos temores de recessão global.

As medidas adotadas pelos demais centros econômicos em resposta a esse cenário foi similar à adotada no Brasil, com forte redução na taxa de juros (Banco Central Europeu, inclusive com taxas negativas). O próprio FED também adotou similar postura, com cortes de juros mesmo em um cenário de baixa inflação e pleno emprego.

Também foi bem relevante a instabilidade da América Latina nesses últimos meses. No decorrer do ano, foram destaques a derrota do presidente pró-mercado argentino, Macri, a grande instabilidade social-política do Chile, com a escalada das manifestações a partir do final de outubro, e as suspeitas de fraudes eleitorais e temores de golpes na Bolívia que afugentaram investimentos de importantes players no continente.

Diante do cenário local e global descrito acima, em consonância com a política de investimentos da gestora, buscamos aproveitar a desvalorização de certos ativos para entrar ou aumentar nossa posição neles.

No mês de janeiro, ainda em sentimento de forte expectativa com o novo governo, o mês foi marcado por fortes ganhos em bolsa, assim aproveitou-se para um aumento da posição em moeda estrangeira, especialmente o dólar, e também em fundos long-short, dada a instabilidade e os já fortes receios de recessão global.

Já nos meses de fevereiro e março, veio um receio pela baixa capacidade de articulação política do Planalto e outros problemas já discutidos, além de uma piora na relação entre EUA e China com anúncio de novas tarifas, resultando em baixas no mercado. Dessa forma, aproveitou-se para aproveitar os ganhos na posição cambial e aumentar a exposição em fundos com forte posição em bolsa.  Esse cenário se manteve, de forma geral e simplificadamente, até junho, em que houve uma melhora da perspectiva da relação comercial entre China e EUA com a reunião na cúpula do G20, a apresentação da primeira versão do relatório da reforma da previdência e o primeiro corte na Selic. Assim, a Ibovespa ultrapassou pela primeira vez a marca dos 100.000 pontos, houve uma boa queda do dólar e aumentamos nossa posição em fundos cambiais.

Em agosto, o resultado das primárias argentinas indicaram que o então presidente Macri seria derrotado nas eleições gerais de novembro para seu rival, que era mal visto pelo mercado. Diante disso, a bolsa argentina caiu mais de 30% em um dia, o que resultou em um revés na posição das carteiras em América Latina. Entendeu-se assim que era o momento de manter a posição, uma vez que havia uma tendência de recuperação no valor desses ativos, uma reação desproporcional pelo mercado. Também aproveitamos para realizar algumas entradas de forma a aproveitar a desvalorização dos ativos “atingidos” por esse resultado.

Setembro por sua vez foi marcado por um forte ganho na posição em bolsa, em decorrência de mais um corte na taxa Selic e do início da política de corte na taxa de juros básica americana pelo FED, a primeira desde a crise de 2008. Assim, a posição em fundos de renda variável e multimercados com boa posição em bolsa tiveram grande valorização.

Em outubro houve um fenômeno atípico, de grande desvalorização de ativos de renda fixa, especialmente debêntures incentivadas e títulos de créditos privado (e por consequência, os fundos de renda fixa de forma geral). Também ocorreu um grande fluxo de resgates de fundos de renda fixa e, devido à marcação a mercado desses ativos, os fundos de renda fixa apresentaram um menor rendimento, apesar da qualidade do crédito ter aumentado. Dessa forma, atuamos de forma a manter nossa posição nesses ativos e inclusive aumentar em alguns casos, por entender que esse era um fenômeno momentâneo, o que se provou correto ao observamos a reação nesse último mês de dezembro.

Novembro foi um mês com algumas dificuldades, devido a turbulências políticas no cenário americano, elevação das tensões no Chile e na Bolívia, fim do ciclo de corte de juros nos EUA, aumento de inflação, enfim, indicadores que levaram a um mal desempenho dos fundos multimercado. E os fundos de renda fixa ainda vinham apresentando desempenho inferior ao esperado, na medida em que estão se recuperando da evasão ocorrida no mês anterior. Assim, mantivemos as nossas posições nesses fundos, aumentamos a posição em long-short pela expectativa de alta da bolsa (que renovou sua máxima nessa última semana) e observamos uma forte recuperação e valorização dos fundos multimercado no decorrer de dezembro.

Assim conseguimos obter bons resultados, com todo nosso trabalho, cuidando sempre para você ter um caminho tranquilo e enriquecedor . A você, cliente Rio Claro, com quem compartilhamos desafios e conquistas, muito obrigado pela confiança.
Desejamos a todos um bom final de ano e muitas novas realizações.

 

Um abraço em nome de toda equipe técnica,
Matheus Portela, CFP®, CGA, CNPI
Gestor Técnico da Rio Claro

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O mês de junho foi marcado por um reajuste de expectativas em relação ao mês de maio. Enquanto o mês anterior foi de bastante entusiasmo, dada a reabertura gradual da economia europeia, indicações de que o pico da pandemia do coronavírus já teria passado nos EUA e o otimismo local propiciaram a percepção de uma maior aversão ao risco dos investidores globais no mês de junho. A crescente de casos em vários estados americanos, o anúncio de uma segunda onda de infecções em Pequim bem como o aumento do estresse na política local com a prisão de Fabrício Queiroz e o avanço dos inquéritos no STF contra o Planalto geraram mais estresse no mercado.

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