O maior risco do mercado financeiro

por Gabrihel Beigelman, CFP®
21 de Outubro de 2019, 09:28 h | por Gabrihel Beigelman, CFP®
Investimento
Existe um risco que poucas pessoas enxergam. Por este motivo quase todos estamos expostos a ele. Entenda que risco é esse e formas que você pode evitá-lo.

Você sabe qual é o maior risco do mercado financeiro? E se está exposto a ele? Essas duas perguntas são difíceis porque não saber a resposta certa indica que provavelmente está exposto a esse risco. Se você acha que são ações ou derivativos, a resposta está errada. O maior risco que existe no mercado financeiro é o conflito de interesse. Ele foi um dos grandes causadores da crise de 2008, por exemplo. Mas vamos abordar esta questão só no final desse texto. Primeiro, quero explicar a origem desse problema.

Acredito que você já tenha ouvido falar na expressão "Não existe almoço de graça", e, de fato, não existe. Ninguém trabalha de graça, a menos que esteja fazendo caridade. Então, quando alguém te oferecer um serviço gratuito, principalmente no mercado financeiro, é o momento de fazer as seguintes perguntas: “Onde estão ganhando $$$?”, “Será que meus interesses estão de fato protegidos?” Essas reflexões ajudam muito a diminuir os riscos de conflito de interesse. 

E onde esse risco aparece no mercado financeiro? Dentro dos bancos e corretoras. Você já recebeu a ligação do seu gerente de banco ou assessor de investimento na última sexta-feira do mês falando que tem uma grande oportunidade de investimento? Ele está fazendo isso com um único propósito: bater a meta do mês. Ou seja, os interesses dele e da instituição para qual ele trabalha estão na frente dos seus e de sua família. É neste momento que você fica de frente para o problema, que pode gerar um prejuízo gigantesco para você e o seu futuro. 

Um caso clássico desse risco foi a crise de 2008. Existe uma série de variáveis que desencadeou a crise e uma das responsáveis por catalisá-la foi o conflito de interesse. De uma forma simples, o mercado imobiliário estava desacelerando e, para tentar aquecê-lo os bancos, aumentaram o empréstimo imobiliário. 

O problema desse aumento é que não havia nenhuma análise de crédito, ou seja, havia um grande risco de calote. Então os bancos começaram a vender esses títulos de dívida imobiliária, conhecidos como "Subprime". Até esse momento, existia uma bomba que iria explodir em algum momento, porém ainda não tinha se tornado uma bomba nuclear. O que potencializou o problema foi o chamado "Gramm-Rudman Act”, lei que permitia que os bancos vendessem derivativos (e como se fosse um seguro) atrelados aos títulos imobiliários. O mercado todo começou a se alavancar em cima desses ativos e vender para os clientes como se fosse a oitava maravilha do mundo. A comissão de quem vendia era gigantesca, então, pouco importava se era bom ou ruim para o cliente. Aqui aparece nosso monstro. Para você entender o que aconteceu em 2008, sugiro que assista ao filme  "A grande aposta". 

É de forma semelhante que agem muitos gerentes de bancos e assessores de investimentos, quando, muitas vezes, empurram produtos financeiros que não são bons. Não estou dizendo que todos os profissionais do mercado financeiro agem de má fé, não é isso, mas é como qualquer profissão, existem aqueles que são éticos e aqueles que não são. O grande problema é que a maioria das pessoas não consegue avaliar se o que está sendo sugerido é o melhor para elas ou para quem está vendendo. 

Ok, Gabrihel. Como faço para eliminar esse risco? Existe uma série de profissionais que trabalham de forma fiduciária, ou seja, o cliente contrata o consultor para ajudá-lo. Nesse momento, o consultor trabalha para o cliente e não mais para uma instituição. Como ele não é remunerado por nenhuma outra fonte, ele está livre para sugerir o que existe de melhor para o cliente, caso contrário, perderá o cliente por causa dos resultados. 

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