Notícias Econômicas da Semana: 2 de Agosto, 2019

por Gabriel Santos Viana
02 de Agosto de 2019, 17:11 h | por Gabriel Santos Viana
Essa semana foi marcada pelos cortes na Taxa de Juros básica dos EUA e do Brasil. Além disso, Trump movimentou o mercado com decisões do Trump quanto às tarifas aos produtos chineses. No Brasil, avanço na agenda de desestatização e privatização da Petrobrás. 

 

No cenário internacional, os EUA confirmaram o corte de 0,25 pontos percentuais na taxa de juros básica, agora na faixa de 2% a 2,25%. Esse corte já havia sido precificado pelo mercado, o que resultou em consecutivas altas nas bolsas americanas durante as últimas semanas. 

Setores do mercado chegaram a estimar um corte superior, o que gerou certa frustração. Uma nova leva de críticas do presidente americano ao presidente do FED, Powell, em que Trump se manifestou "como de costume, Powell nos decepcionou". 

Houve também sinalização que são improváveis próximos cortes em um cenário breve. Lembrando que esse foi o primeiro corte desde a crise de 2008.

No campo da trade war, um relato de alta forte na receita da Huawei Technologia surpreendeu o mercado, apesar de sua listagem como ameaça à segurança dos EUA, dificultando negócios com empresas parceiras como a Google. Entretanto, já há indícios de a empresa chinesa ter sofrido com a guerra comercial, com desaceleração de 20% nas vendas de smartphones no mercado internacional. Isso leva à conclusão de que o aumento na receita foi devido à demanda interna. 

Também em contrapartida ao sinalizado no encontro da cúpula do G20 no final de junho, Trump decidiu na última quarta aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre US$300 bilhões de bens e produtos vindos da China, além dos US$250 bilhões já tarifados em 25%. A medida levou a Dow Jones a operar em território negativo e a uma queda no valor do barril de petróleo, devido ao possível impacto negativo na cadeia produtiva mundial. 

Houve avanço na agenda de desestatização e privatização proposta pela equipe econômica do governo. Foi anunciada a venda da subsidiária de distribuição de botijões de gás, Liquigás, em processo aberto em abril seguindo a privatização da BR Distribuidora, em que o governo reduziu sua participação a 37,5% da empresa. O presidente da estatal, Castello Branco, anunciou que a Petrobras já acumula US$ 15 bilhões em julho resultantes desses processos. 

O sucesso da privatização da BR Distribuidora, inclusive, levou o presidente de Furnas a se posicionar a favor da sua privatização. E ontem (1) o presidente Bolsonaro deu sinal verde para a privatização da Eletrobras, em um processo de venda de ações ordinárias, o que a tornará uma empresa de capital pulverizado. A expectativa é que isso ocorra já neste ano.

Nas relações exteriores, boas e más notícias. Por um lado, o governo americano anunciou que trabalhará em um acordo de livre comércio com o Brasil, por outro, o presidente Bolsonaro cancelou de última hora um encontro com o chanceler francês, Le Drian, e o criticou por se encontrar com líderes de ONG's ambientais, gerando ruídos no avanço do acordo estabelecido entre Mercosul e UE. Vale lembrar que o governo francês é um dos mais influentes no bloco europeu.

E a grande notícia foi o corte de 0,5 pontos percentuais na Selic, agora em 6%. O corte foi superior ao que muitos agentes do mercado esperavam, foi seguido por medidas similares do FED e do Banco Central Europeu, com grandes players do mercado financeiro chegando a precificar uma mínima de 5% para esse ano. A medida tem por intuito o estímulo da atividade econômica, com aumento da oferta de crédito, em um cenário de inflação controlada e desemprego alto. Bancos como Caixa, BB e Itaú vêm diminuindo suas taxas de empréstimo para pessoas físicas e jurídicas.

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