Notícias Econômicas da Semana: 2 de Setembro, 2019

por Gabriel Santos Viana
02 de Setembro de 2019, 11:32 h | por Gabriel Santos Viana
Hard Brexit, situação na Argentina, Trade War, economia brasileira, Amazônia e muito mais! Se atualize com a Rio Claro!

O cenário do Brexit sem acordo (“Hard Brexit”) torna-se cada vez mais provável. Cumprindo o discurso de campanha, o premiê britânico Boris Johnson pediu, na última quarta (28), à rainha Elizabeth 2ª, a suspensão do parlamento, o qual foi acatado. A manobra é vista como uma maneira de minar as atividades do legislativo que pudessem dificultar o “no deal”, já que a saída está prevista para 31 de outubro. A manobra levou milhares de pessoas à rua, em frente ao Palácio de Buckingham.

Enquanto isso, na Argentina, o cenário caótico dos mercados continua. Depois da derrota nas primárias, o presidente argentino Mauricio Macri anunciou que o governo iniciou uma renegociação da dívida com credores internos, adiando o prazo de pagamento de dívidas de curto prazo e, provavelmente, as de médio e de longo prazo também. Essa postergação se aplicará somente a investidores institucionais, o que corresponde a 10% do total da dívida. 

A medida é uma resposta aos efeitos econômicos da brusca desvalorização do peso argentino após o resultado das primárias. Ela levou as duas maiores agências de risco, S&P500 e Fitch, a rebaixarem a nota de crédito dos títulos argentinos. Isso indica uma percepção de elevada probabilidade de default, ou seja, do governo argentino não conseguir cumprir parte de seus compromissos junto aos credores.

E a Trade War continua incerta. Depois de Trump anunciar que houve conversas com os altos escalões chineses, os assessores da Casa Branca negaram isso. 

Ontem (1) foram anunciadas uma nova leva de tarifas sobre bens chineses, de 15% em um total de US$ 112 bilhões de produtos chineses, adicionados aos mais de US$250 bilhões já sob tarifas adicionais.

No Brasil, a grande notícia da semana, no cenário econômico local, foi positiva, com o IBGE informando uma alta do PIB de 0,4% no último trimestre, superior ao esperado pelos especialistas. Em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, o PIB registrou uma alta de 1% e, no acumulado dos últimos 12 meses, registra crescimento de 1%. Esse crescimento foi puxado por uma alta na taxa de investimento, 3,2% no período, especialmente no setor de construção civil, em decorrência da recuperação no mercado imobiliário. 

O órgão também divulgou uma redução na taxa de desemprego no período - de 12,5% para 11,8% - porém, puxada pelo emprego informal e pela subocupação. Isso levou a uma queda na renda média real habitual do trabalhador - de R$ 2.311 para R$ 2.286 -, uma vez que tais posições tendem a ter uma remuneração menor.

Também houve uma revisão do governo em relação ao valor do salário mínimo, de R$ 1. 040,00 para R$ 1.039,00 por conta de uma menor inflação do que a esperada, um dos parâmetros para o seu cálculo. A equipe também divulgou uma estimativa para o déficit da previdência para 2020, de R$ 244 bilhões, uma alta de 13,1% em relação a esse ano. Essa estimativa já prevê os efeitos da reforma da previdência, que ainda tramita no Senado. 

E em relação aos constrangimentos gerados devido às queimadas na floresta amazônica, o grupo de marcas de grife da VF Corporation (abrange marcas como Timberland e Kipling) anunciou uma suspensão na compra do couro brasileiro, o que afetará novos pedidos.

A pauta do noticiário dos próximos dias deve permanecer em torno da Trade War e da escalada da crise argentina.

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