Como identificar o momento ideal em sua vida para transitar do aluguel para a compra do imóvel próprio?
A decisão de sair do aluguel e comprar o imóvel próprio é uma das decisões financeiras mais importantes ao longo da vida de uma pessoa.
Apenas no 1° semestre de 2025, mais de 116 mil imóveis foram a leilão no Brasil, reflexo direto do aumento da inadimplência, do ciclo de juros elevados e de más decisões financeiras.
Por ansiedade, falta de planejamento, ou de educação financeira, muitas pessoas acabam se precipitando na hora de comprar um imóvel, se endividando no momento errado de suas vidas, prejudicando significativamente sua capacidade de formar patrimônio ao longo da vida.
Neste artigo vamos:
1- Explorar as vantagens e desvantagens entre morar de aluguel e comprar o imóvel próprio;
2- Apresentar critérios objetivos para você identificar se está no momento adequado para essa decisão;
3- Mostrar como otimizar financeiramente a compra do imóvel, ao nos atentarmos ao ciclo econômico.
Vantagens do imóvel próprio
1) Formação de patrimônio
Financeiramente, em muitos casos, pagar a parcela de um financiamento pode ser mais interessante do que pagar o aluguel, ainda que a parcela seja mais alta, pois ao comprar um imóvel próprio, você está transformando a despesa mensal do aluguel em patrimônio.
Um dos benefícios do financiamento é que você pode usufruir do imóvel a partir do dia 1 da compra (caso tenha sido comprado já pronto), ainda que tenha pago apenas parcialmente pelo mesmo.
“Mas eu vou pagar mais de duas vezes o valor do imóvel em um financiamento”.
Sim, você pode pagar duas ou até três vezes o valor do imóvel ao financiá-lo. Em um financiamento de R$ 600.000 em 360 meses (30 anos) a um juro anual de 10%, por exemplo, você terá pago quase R$ 1.500.000,00 ao final do período.
Mas estamos comparando com o aluguel.
Contratos de aluguel costumam ser corrigidos por algum índice de inflação (o IGPM, ou o IPCA). Nos últimos 20 anos, o IGP-M teve uma evolução média de 7,2% ao ano, enquanto o IPCA cresceu a uma média de 5,6% ao ano.
Ou seja, o seu aluguel também sofre correção ao longo dos anos. Em 30 anos, você também irá pagar algumas vezes o valor do imóvel que você aluga, com a diferença que você não é o proprietário desse imóvel.
2) Valorização do ativo
Como proprietário, você se beneficia de toda a valorização que o imóvel tiver. Imóveis são ativos sólidos, que historicamente se valorizam além da inflação, principalmente quando bem localizados.
A valorização do seu imóvel pode, inclusive, compensar parte relevante do custo financeiro do financiamento.
3) Fatores pessoais
Possuir um imóvel próprio também envolve fatores psicológicos e emocionais.
O imóvel costuma ser um grande motivo de satisfação pessoal. Ter um espaço onde podemos mobiliar, decorar ao nosso gosto e desejo, representa um valor inestimável para muitas pessoas, além de também ser um fator de valorização do bem.
A sensação de segurança de ter um lugar próprio, considerado um “lar” para a família, é um fator de tranquilidade para muitas pessoas.
Quando não é uma boa ideia comprar um imóvel?
Agora que já exploramos as vantagens de possuir um imóvel próprio, vamos detalhar os critérios que você e sua família precisam atender antes de decidir pela compra de um imóvel. Também abordaremos situações nas quais pode ainda não ser uma boa ideia deixar o aluguel para adquirir um imóvel.
Erro 1 – Concentrar demais o patrimônio
Um dos maiores erros que as pessoas cometem ao comprar um imóvel é concentrar todo (ou quase todo) o seu patrimônio no imóvel, destinando toda sua poupança para o pagamento das parcelas, sem formar uma reserva financeira.
Se essa pessoa tiver um contratempo financeiro, corre o risco de ficar inadimplente e ter o seu imóvel tomado pelo banco. Esse é o principal motivo pelo qual o mercado de leilões de imóveis no Brasil é tão aquecido.
Erro 2 – Alavancagem com base na renda conjunta
Um dos motivos mais comuns para a compra de um imóvel é quando um casal decide ter um lugar próprio. Na busca por um bom lugar, o casal faz uma dívida cujas parcelas apenas consegue pagar quando combina suas rendas.
E então, em uma situação de briga, separação, em um momento de estresse e desentendimento, o casal deixa de pagar as parcelas, ficando inadimplente e acaba tendo o imóvel tomado pelo banco antes mesmo de conseguir vendê-lo.
A lição aqui é: apenas de endivide se você tiver capacidade financeira própria de arcar com aquela dívida, sem depender de ninguém, pois no pior dos casos, você pode anunciar o imóvel enquanto continua pagando as parcelas e quando vendê-lo, quitar o saldo devedor e dividir o valor que sobrar de acordo com o regime da união.
Erro 3 – Desconsiderar flexibilidade geográfica
Se você está em uma fase profissional que pode te exigir flexibilidade geográfica, a compra de um imóvel próprio talvez não seja a melhor opção para o seu momento de vida.
Se você está considerando uma oportunidade de negócio, uma promoção, ou uma mudança de emprego que possa exigir realocamento, o aluguel pode oferecer a flexibilidade necessária sem o peso financeiro de precisar vender um imóvel de última hora, muitas vezes em condições de mercado menos favoráveis, e não te colocar sob o risco e dilema de alugar um imóvel que você comprou para você mesmo. A liberdade de mudar de residência pode ser um fator crucial para aproveitar oportunidades de crescimento profissional.
Como saber o momento certo de comprar o imóvel?
Aqui estão alguns critérios objetivos e essenciais que você deve atender para ter certeza que está no momento ideal para tomar essa decisão.
Faça as seguintes perguntas a si mesmo:
- O seu trabalho (e do cônjuge) ainda exige (ou pode exigir) flexibilidade geográfica?
- O imóvel será adequado a possíveis necessidades da sua família (filhos, espaço maior, localização) por, pelo menos. mais alguns pares de anos?
- Você é capaz de arcar com as parcelas do financiamento apenas com recursos próprios (sem considerar a renda do cônjuge)?
- Você possui uma reserva financeira de pelo menos 12 meses do seu custo de vida mensal, além do valor da entrada do imóvel? Não é recomendável concentrar mais que 90% do seu patrimônio em um único imóvel.
Se a resposta foi positiva para todas essas perguntas, então você está em um momento adequado para tomar essa decisão.
Como otimizar financeiramente a decisão de comprar um imóvel?
Para tornar a decisão de comprar um imóvel financeiramente otimizada, você deve alinhar o seu objetivo ao ciclo das taxas de juros.
Por se tratar de um passivo que você costuma carregar por muitos anos, a condição do financiamento vai ter um impacto significativo no seu planejamento financeiro.
Lembre-se que você estará jogando contra a força dos juros compostos.
A taxa média de um financiamento imobiliário no Brasil em 2026 nos bancos comerciais está na faixa de 11,5% a.a.. Entre 2018 e 2021, e 2009 a 2013, por exemplo, a taxa média dos financiamentos esteve na faixa de 9% a.a.. Essa diferença de taxa pode representar uma economia significativa.
Em um financiamento de R$ 600.000,00, por 30 anos, por exemplo, você pagaria uma diferença de mais de R$ 400.000,00 ao final do período entre as duas taxas.
Portanto, alinhar a sua meta de comprar o seu imóvel ao ciclo econômico, pode te economizar um bom dinheiro, o qual investido e rendendo a juros compostos, pode gerar um valor futuro ainda mais significativo.
Conclusão
Comprar um imóvel nunca será uma decisão 100% financeira, mas tampouco deve ser uma decisão puramente emocional, ignorando os impactos sobre o planejamento financeiro da sua família.
Espero que este artigo tenha fornecido clareza e auxiliado no seu processo de decisão, seja você um futuro proprietário de imóvel ou um inquilino satisfeito. Em última análise, a melhor escolha é aquela que alinha suas necessidades pessoais e financeiras, proporcionando tranquilidade e segurança para você e sua família.
Se você tiver interesse em discutir sobre as suas metas pessoais de forma personalizada e como alinhá-las ao seu planejamento financeiro, convido você a preencher o formulário nesse link com os seus dados, que entrarei em contato o mais breve possível para agendar uma consulta gratuita.